17.4.07

SummUP Ling | SL » RPG

O Second Life parece ter vindo para ficar. O número de residentes não pára de aumentar de dia para dia e a contagem já vai num total exorbitante de mais de 5 500 000! A magia e a atracção deste novo sistema veio revolucionar a forma como comunicamos e conceder mais consistência ao conceito de jogabilidade. Esta realidade virtual que nos permite criar uma identidade, conhecer pessoas, construir objectos, visitar espaços é mais um jogo que confere total liberdade aos utilizadores para criar e interagir como se estivessem a viver uma outra vida (in http://www.pcmag.com/encyclopedia_term/0,2542,t=Second+Life&i=56985,00.asp ).

É mais do que sabido que o SL é um RPG, um local onde podemos fazer qualquer coisa que imaginemos. Claro está que esta é uma versão optimista mas eu prefiro ir por esse caminho. A imaginação é, então, o nosso limite e, como para esta não existem barreiras, é seguro afirmar que no SL tudo é possível e, como diria o meu colega virtual "Razzman",: "and if it's not yet created, you can imagine it and then do it yoursef". Somos as personagens centrais deste "mundo virtual" que é mais uma junção de MSN, mIRC – vulgo, chats virtuais – com um jogo de Playstation (recordando “The Sims”, por exemplo), tão em voga actualmente e quase indispensável em casa de qualquer adolescente "viciado" em jogos de consola/computador.

Role playing game, por extenso, assenta numa definição-base: "um jogo no qual os jogadores assumem papéis de personagens e movem-se em fantásticos ambientes de aventuras, cujos resultados são parcialmente determinados tanto por probabilidades como pelo lançamento de dados" (in
http://www.answers.com/topic/role-playing-game ).

Assim sendo, na minha opinião, faz todo o sentido estabelecer uma comparação entre mundos possibilitados pelos jogos "destinados" à comercializada Playstation, ou outras marcas de consolas, e o SL. Inicialmente e após um prévio registo, é-nos pedida a criação de um avatar ao qual damos os atributos que desejamos, o qual moldamos segundo a nossa imaginação e vontade, não sendo para aqui chamada a questão de ser semelhante, ou não, à nossa própria "imagem real". O que se torna deveras relevante é o facto de, ao carregar num simples botão denominado "Connect", podermos dar entrada a um novo mundo. Um mundo virtual onde as semelhanças com o real são claras em alguns ambientes, onde pessoas de todo o mundo se encontram e interagem entre si através de "figuras" (humanas ou não), onde é possível criar objectos, edifícios, reproduzir locais reais ou improvisar outros novos, voar, assumir determinados comportamentos, em suma, onde é possível dar asas à imaginação… Há um ecrã, existem pessoas, subsistem níveis, ainda que pautados pelos objectivos que impomos a nós próprios e, consequentemente, à personagem que criamos… Mesmo que a diferença entre um jogo perfeitamente jogável na Playstation e este mundo alternativo esteja marcada por um modo "offline" e outro "online", respectivamente, existe, implícita ou explicitamente, o conceito de jogabilidade no Second Life.

Comparando o botão virtual "Connect" existente no painel de entrada do Second Life ao botão "Power" ou "On/Off" da referida Playstation, eu reconheço que é através dele que dou entrada a um novo jogo, a meu ver fascinante pelo simples facto de cada dia ser um dia diferente, onde irei, certamente, a lugares diferentes e conhecerei novas pessoas. Vou, decerto, partir em busca de novos locais, adquirir e/ou comprar novos outfits, partilhar objectos e assumir comportamentos, manipulando a minha personagem, aquela que eu criei para assumir o controle.
Estes são, no meu caso, os níveis que estabeleço para a minha figura e, neste aspecto, podemos assegurar semelhanças com a vida real. Sei que jogo com ela porque interajo com outras personagens que, por sua vez, estabelecem os seus próprios níveis. Todo este processo é cíclico e personalizável, uma vez que "somos todos diferentes". Trata-se de um jogo com proporções universais, onde eu sou sempre a figura principal e cada pessoa que eu conheça é a personagem central do seu próprio jogo.



Concluindo, eu defino, embora não de uma forma redutora, o Second Life como um RPG para um número massivo de utilizadores.

2 comentários:

Paulo Frias aka PalUP Ling disse...

A discussão acerca de SL como RPG não é consensual...
Na definição de SL, existem habitualmente referências a "novos" conceitos que não se encontram nos RPG. A mais importante parece ser a de "Metaverse", herdada da obra "Snowcrash" de Neal Stephenson, 1992. Segundo Stephenson, "o Metaverse é uma invenção minha que surgiu quando percebi que as expressões existentes (tais como "realidade virtual") eram insuficientes ou inadequadas para explicar um fenómeno..."
Ou ainda, no Manual Oficial de Second Life, "Second Life é um Mundo Virtual. Não, Second Life é um Mundo Digital 3D online imaginado, criado e detido pelos seus residentes. Mas esperem, ainda há mais: os críticos definiram Second Life como um Metaverse - imaginam isto? Todos na mesma "página"? Todas as considerações são verdadeiras. Second Life é basicamente aquilo que tu quiseres que seja..."
Esta tentativa de explicar, ou de tipificar SL, leva-me a acreditar que existem enormes diferenças em relação aos normalmente designados RPG. Outra das definições emergentes para SL é a de MUVE (multi-user virtual environment) e a palavra ambiente distancia SL do mundo dos jogos.
Na minha modesta opinião, nem sequer conseguimos, em SL, fazer uma análise de jogabilidade da mesma forma que o fazemos em Jogos, uma vez que as avriáveis são distintas, começando precisamente pela palavra "Role", que em SL de dilui uma vez que as personagens não assumem um papel bem definido, antes podem desempenhar vários ao mesmo tempo, numa multiplicidade de paradigmas comunicacionais bastante complexa e rica: de novo "metaverse", talvez algo como "o que está para além e que justifica o discurso".
A Sony anunciou recentemente o próximo lançamento de Home, uma espécie de SL, um ambiente virtual online para as PS3. Na minha opinião, a atitude na utilização da PS3 (lúdica, de jogo...) não se enquadra psicológica e sociologicamente com a atitude que temos quando estamos em SL num PC, num exercício mais individualista, alternando, como diz Sherry Turkle, entre os nossos "múltiplos eus" (na altura em referência aos MUD's).

Catarina Campos disse...

Na minha opinião, o SL não é de todo um jogo, nem sequer um RPG, embora dentro do SL existam espaços (o gorean, por exemplo) onde se "jogam" RPG. Para mim é um universo virtual em forma de brinquedo (essa parte de "brincar" é o que o torna aliciante e viciante até), com multiplas capacidades e cujo principal atractivo é - para a grande maioria - o facto de existir uma economia paralela (e transferível) com o mundo real.

Parabéns pelo blog!

Catarina Campos (aka Cat Magellan, http://getasecondlife.net)